
Gente, e pé, hein? Que coisa mais gostosa que é o pé. Anatomicamente é muito interessante, não só pela variedade de tipos e desenhos, as muitas possibilidades de combinação entre tamanho, formato, textura e tantos outros detalhes nos quais quem gosta costuma reparar. O pé é tão bom de se tocar, tem peso, uma forma que embora muitas vezes delicada ainda assim é forte, e os dedos cabem tão bem na boca da gente, são, assim, uns pirulitos macios, de sabor único e pessoal.
Sabor e cheiro são capítulo à parte. Que só quem curte muito não seja poupado do cheiro de tênis jamais lavado e usado sem meia e sem dó, a todos os demais desejo os melhores aromas, do couro do sapato, do suor contido nas meias, da borracha das havaianas, do que mais lhes aprouver. Porque pé tem que ser assim, não há como, e eu prefiro ter nos lábios o sabor do amado ao invés do gosto medonho de cremes e sabonetes.
Agora, a carga simbólica do pé é ainda maior que o peso que ele sustenta. Não só por causa da servidão a que sempre se vê atar o ato de beijar os pés de alguém, afinal tortura no pé pode ser terrível. Acontece que, podendo ser também um gesto singelo, um beijo no pé (melhor uma chupada, né?) é uma tremenda depravação, no sentido de que corrompe o uso mais comum, que é o de não beijar, de dizer que pé é sujo, é só o pé, não é lugar de carinho. Mais ou menos como o tesão pelo cu, como via de prazer não designada pela moral e os bons costumes.
Tem gente que morre de cócegas, não suporta ter os pés tocados sequer. Mas a maioria eu acho que gosta de carinho no pé, sim, não é possível. Será que dá pra fazer meianove de chupação de pé?


